Solos

PRINCIPAIS SOLOS DO ESTADO DE SÃO PAULO

A figura 1 apresenta os principais solos do Estado de São Paulo, classificados de acordo com a nomenclatura anterior (CAMARGO et al., 1987).Os solos com a maior expressão geográfica no Estado de São Paulo são os Latossolos e os Podzólicos, mas também ocorrem Cambissolos, os Solos Litólicos, os Gleissolos, e os Solos orgânicos.

No Vale do Paranapanema ocorrem o Latossolo Roxo textura muito argilosa, mais próximo ao rio Paranapanema e, mais ao norte, o Latossolo Vermelho-Escuro textura média associado ou não com a Areia Quartzosa, além do Podzólico Vermelho-Amarelo e Podzólico Vermelho-Escuro, ambos de textura arenosa/média. Na Região Norte há grande ocorrência de Latossolo Roxo textura argilosa ou muito argilosa e na Região Oeste predominam o Latossolo Vermelho-Escuro textura média e o Podzólico Vermelho-Amarelo textura arenosa/média.

A maior diversidade de solos no Estado de São Paulo constata-se na Região Centro, onde ocorrem o Latossolo Vermelho-Amarelo textura média ou argilosa, o Latossolo Vermelho-Escuro textura média ou argilosa, o Latossolo Roxo textura argilosa ou muito argilosa, o Podzólico Vermelho-Amarelo e o Podzólico Vermelho-Escuro, ambos de textura arenosa/média ou média/argilosa, além da Areia Quartzosa.

Na Região Sul, o Latossolo Vermelho-Escuro textura argilosa ou muito argilosa ocupa extensa área, mas também ocorrem o Podzólico Vermelho-Escuro e o Podzólico Vermelho-Amarelo, ambos de textura arenosa/média ou média/argilosa.

A maioria dos solos do Estado de São Paulo não apresentam teores elevados de alumínio trocável em subsuperfície (Figura 2). A Região Sul e parte da Região Centro possuem a maior probabilidade de ocorrer solos com os teores mais elevados de alumínio em subsuperfície devido à natureza do material de origem. Como conseqüência, esses solos apresentam baixos valores de soma e saturação por bases.

Por outro lado, os níveis de alumínio são reduzidos ou nulos na maioria dos solos do Vale do Paranapanema, na Região Norte, parte das regiões Oeste e Centro. No médio Vale do Paranapanema ocorrem Solos derivados do arenito com médios ou até altos valores de alumínio na camada subsuperficial.

Ressalte-se ainda que já foi constatado, até o presente momento, nos levantamentos pedológicos coordenados pelo Instituto Agronômico (IAC), no Estado de São Paulo, a presença de latossolos ácricos em área muito significativa na Região Norte e em áreas pouco extensas geograficamente perto de Aguaí e, ainda menor, próximo a Palmital.

FIGURA 1. PRINCIPAIS SOLOS DO ESTADO DE SÃO PAULO

PRADO, H. do, adaptado de OLIVEIRA et al.(1999) INSTITUTO AGRONÔMICO DE CAMPINAS – IAC

Legenda

Latossolo Roxo A moderado textura argilosa ou muito argilosa.

Latossolo Vermelho Amarelo A moderado textura média ou argilosa.

Latossolo AmareloA moderado textura argilosa.

Latossolo Vermelho Amarelo + Cambissolo ambos A moderado textura argilosa.

Latossolo Vermelho Escuro + Podzólico Vermelho Escuro + Podzólico Vermelho Amarelo todos A moderado textura argilosa ou muito argilosa ou arenosa/média.

Latossolo Vermelho Escuro textura média + Podzólico Vermelho Amarelo + Podzólico Vermelho Escuro textura arenosa/média + Areia Quartzosa todos A moderado.

Podzólico Vermelho Amarelo A moderado textura arenosa/média ou média/argilosa ou argilosa/argilosa + Latossolo Roxo textura argilosa + LatossoloVermelho Escuro + Latossolo Vermelho Amarelo textura média ou argilosa todos A moderado.

Podzólico Vermelho Amarelo + Latossolo Vermelho Amarelo ambos A moderado textura argilosa.

Podzólico Vermelho Amarelo + Cambissolo + Latossolo Amarelo todosA moderado textura argilosa.

Podzólico Vermelho Amarelo + Latosolo Vermelho Escuro textura média + Podzólico Vermelho Escuro textura arenosa/média todos A moderado.

Cambissolo + Latossolo Vermelho Amarelo ambos A moderado textura argilosa.

Areia Quartzosa + Latossolo Vermelho Amarelo textura média ambos A moderado.

Podzólico Vermelho Amarelo + Podzólico Vermelho Escuro ambos textura média/argilosa + Latossolo Vermelho Amarelo + Cambissolo + Latossolo Vermelho Escuro todos A moderado textura argilosa.

Solo Orgânico + Gleissolo + Solo Aluvial + Podzol.

FIGURA 2. MAPA DE PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA DE ALUMÍNIO TROCÁVEL EM SUBSUPERFÍCIE NOS SOLOS DO ESTADO DE SÃO PAULO

– PRADO, H. do (INSTITUTO AGRONÔMICO DE CAMPINAS – IAC)

O conhecimento do solo auxilia na previsão do potencial produtivo das culturas e permite conhecer as razões pelas quais se desenvolvem melhor em determinado local em comparação a outro sob as mesmas condições agrometeorólogicas e de manejo. Na implantação de rede de experimen-tação agrícola, deve-se procurar contemplar os solos representativos das regiões produtoras para que seja possível a extrapolação dos resultados para as lavouras. Assim, a adequada caracterização dos solos dos experimentos auxilia nos estudos da interação genótipos-ambiente e permite conhecer e estratificar melhor as características edafoclimáticas do ambiente da produção agrícola.

CRITÉRIOS PARA CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS

Saturação por bases x alumínio

Na classificação pedológica utilizam-se critérios químicos, granulométricos, morfológicos e mineralógicos. O horizonte diagnóstico de superfície é representado pelo horizonte A (ou camada arável) e o de subsuperfície, representado pelo horizonte B (ou C na ausência do horizonte B).

Do ponto de vista de classificação do solo, a camada subsuperficial é a mais importante para os estudos químicos porque não é alterada significativamente pelo manejo (calagem e adubação), e se ocorrer será pequena. As condições químicas de subsuperfície influenciam o crescimento radicular em profundidade, a tal ponto que, quando o crescimento da planta é mais vigoroso pode-se atenuar ou mesmo evitar os efeitos negativos do estresse causado pela deficiência de água no solo.

O teor de óxido de ferro total, que se correlaciona com a atração magnética do solo, também é utilizado na classificação pedológica, principalmente na classe dos Latossolos. As cores vermelhas dos solos ocorrem devido aos óxidos de ferro livre e de camadas de hematita, e as cores amarelas são atribuídas à goethita. Solos com altos teores de hematita podem ou não se correlacionar com elevada disponibi-lidade de nutrientes para as plantas. Portanto, a cor vermelha não possui nenhuma relação com a fertilidade da camada subsuperficial dos solos; estes podem ser eutróficos, ou mesotróficos, ou distróficos ou ácricos, ou até mesmo álicos ou aluminícos. De maneira semelhante, também ocorrem essas condições químicas nos solos amarelados.

A análise química pedológica de rotina inclui os dados de pH, matéria orgânica, bases trocáveis, hidrogênio, alumínio e, complementarmente, são solicitadas análises de óxido de ferro total, óxido de titânio, a condutividade elétrica nos solos da região semiárida no Nordeste do Brasil, e sódio nos locais próximos ao mar.

O quadro 1 apresenta os critérios de interpretação das condições químicas subsuperficiais relacionados com a saturação por bases (V), soma de bases (SB), saturação por alumínio (m) e retenção de cátions (RC), segundo CAMARGO et al. (1987) e EMBRAPA (1999).

Quadro 1. Valores de saturação por bases (V), soma de bases (SB), saturação por alumínio (m) e de retenção de cátions (RC), relacionados com os termos eutrófico, mesotrófico**, distrófico, álico e ácrico.
Interpretação V SB Al+3 m RC
% cmolc/kg solo % cmolc/kg argila
Eutrófico* (e) ≥ 50 ≥ 1,5*
Mesotrófico** (m) ≥ 1,2 < 0,3 < 50 > 1,5
Distrófico (d) < 30 &lt 1,2 < 50 > 1,5
Álico (a) < 50 ≥ 0,3 ≥ 50 > 1,5
Ácrico*** (ac) *** *** ≤ 1,5
*O Centro de Solos e Recursos Agroambientais (Pedologia) do Instituto Agronômico de Campinas adota no caráter eutrófico o valor mínimo de soma de bases de 1,5 cmolc/kg TFSA, concomitantemente com o valor V maior ou igual a 50%.
** PRADO (1993), LANDELL et al. (1997), PRADO & VALERIANO (2000)
*** Não diagnosticado (V ou m maiores ou menores que 50%). Além da baixa retenção de cátions, deve der atendida pelo menos uma dessas condições: PH KCL (1N) maior ou igual a 5,0 ou mesmo se o valor de delta PH em cloreto de potássiol-pH em água) for positivo.

Frações granulométricas

Nos estudos pedológicos, consideram-se também as frações granulométricas do solo, em especial, o teor de argila. O quadro 2 apresenta os critérios de interpretação da análise granulométrica (LEMOS e SANTOS, 1996).

As frações granulométricas podem não ser uniformes entre os horizontes A e B, constituindo-se em um dos principais critérios diferenciadores das classes dos Latossolos em relação aos solos podzólicos, pois são uniformes nos latossolos e, em geral, apresentam nítido aumento de argila em profundidade nos podzólicos.

O teor de argila é útil para estudos de disponibilidade de água às plantas. O solo de textura arenosa possui a menor disponibilidade hídrica, entretanto, se a textura for argilosa ou muito argilosa, a disponibilidade de água, não é necessariamente máxima. Esse fato ocorre porque outros fatores também influem diretamente na disponibilidade hídrica, tais como a mineralogia da fração argila, o teor de matéria orgânica, a estrutura, e o tipo de areia que predomina na fração grosseira (areia grossa ou fina).

Por exemplo, em Latossolos de textura argilosa ou muito argilosa ocorre elevada microagregação, especialmente se o caráter for ácrico, interferindo na disponibilidade de água às plantas. Os solos ácricos, possuem a microagregação máxima devido à menor repulsão entre as cargas elétricas dos colóides, o que favorece a máxima floculação da argila que, na prática, promove a microagregação ou “pseudo-areia”. Essa microagregação influi diretamente na disponibilidade de água, favorecendo a rápida percolação hídrica no perfil e, ao mesmo tempo, reduzindo a disponibilidade de água armazenada para as plantas. Nessas condições, a disponibilidade de água nos solos ácricos é tão baixa que é comparável aos solos de textura arenosa (ALLEONI e CAMARGO,1994).

Quadro 2.Classificação da textura dos solos de acordo com as frações granulométricos.
Textura Valores
Arenosa argila+silte menor que 15%
Média argila de 15 a 35%
Argilosa argila maior que 35 até 60%
Muito argilosa argila maior que 60%

Classificação atual x anterior

Recentemente, publicou-se o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos com profundas alterações na nomenclatura (EMBRAPA, 1999). As principais alterações na classe dos Latossolos foram: a eliminação da adjetivação de “Roxo” do antigo Latossolo Roxo passando a ser considerado com Latossolo Vermelho e a eliminação do “Escuro” do antigo Latossolo Vermelho-Escuro, passando também a ser enquadrado como Latossolo Vermelho. A diferenciação entre ambos é feita com base no teor de óxido de ferro total, qualificando de férrico aqueles solos com teor alto desses constituintes (como nos antigos Latossolos Roxos). Os Latossolos Vermelho-Amarelos e os Latossolos Amarelos foram mantidos, com diferenciação de coloração com base em seus matizes.

O Podzólico Vermelho-Amarelo e o Podzólico Vermelho-Escuro enquadram-se como Argissolos se a capacidade de troca de cátions (CTC) for baixa no horizonte B, mas se a CTC for alta e ao mesmo tempo ocorrer o caráter eutrófico classificam-se como Luvissolo. O Podzólico poderá ser clasificado ainda como Alissolo, se a CTC for alta, e em vez de ocorrer o caráter eutrófico, for distrófico ou alumínico.

Em nível mais detalhado de classificação, a cor do horizonte B é considerada denominando-se Argissolo Vermelho quando esse horizonte for vermelho, de Argissolo Vermelho-Amarelo, ou Argissolo Amarelo nas distinções dos seus matizes menos avermelhados. A condição química do horizonte B permite enquadrar o Argissolo Vermelho ou Amarelo ou Vermelho-Amarelo como eutrófico, ou distrófico, etc.

A nova nomenclatura do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, publicada pela EMBRAPA (1999), é comparada no quadro 3 com a classificação de solo que estava em uso anteriormente (CAMARGO et al., 1987), e o novo mapa apresentado na figura 4.

Quadro 3. Comparação entre a classificação de solos atual e anterior.
CLASSIFICAÇÃO ATUAL EMBRAPA (1999) CLASSIFICAÇÃO ANTERIOR CAMARGO et al (1987)
LATOSSOLO VERMELHO Eutroférrico (LVef) LATOSSOLO ROXO eutrófico (LRe)
LATOSSOLO VERMELHO Distroférrico (LVdf) LATOSSOLO ROXO mesotrófico (LRm)(1)
LATOSSOLO VERMELHO Distroférrico (LVdf) LATOSSOLO ROXO distrófico(LRd)
LATOSSOLO VERMELHO Acriférrico (LVwf) LATOSSOLO ROXO ácrico (LRac)(2)
LATOSSOLO VERMELHO Eutrófico (LVe) LATOSSOLO VERMELHO-ESCURO eutrófico (LEe)
LATOSSOLO VERMELHO Distrófico (LVd) LATOSSOLO VERMELHO-ESCURO distrófico (LEd)
LATOSSOLO VERMELHO Distrófico típico álico (Lvd) LATOSSOLO VERMELHO-ESCURO álico(LEa)
LATOSSOLO VERMELHO Distrófico (LVd) LATOSSOLO VERMELHO-ESCURO mesotrófico (LEm)(1)
LATOSSOLO VERMELHO Ácrico (LVw) LATOSSOLO VERMELHO ESCURO ácrico (LEac)(2)
LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrófico (LVd) LATOSSOLO VERMELHO AMARELO mesotrófico (LVm)(1)
NITOSSOLO VERMELHO Eutrófico (NVe) PODZÓLICO VERMELHO ESCURO Eutrófico (PEe)
ARGISSOLO VERMELHO AMARELO Distrófico (PVAd) PODZÓLICO VERMELHO AMARELO Distrófico(PVd)
(1) PRADO (1993).
(2) De acordo com os critério de interpretação química pedológica utilizado pelo IAC.

FIGURA 4. MAPA PEDOLÓGICO DO ESTADO DE SÃO PAULO