Sistema de Produção de Milho Orgânico

Neli Cristina Belmiro dos Santos

Engenheira Agrônoma, Pesquisadora Científica do Pólo Extremo Oeste/APTA

Email: neli@apta.sp.gov.br

 

Tratado com restrições pelos produtores há alguns anos, o cultivo orgânico atualmente é visto como um mercado favorável, rentável e sustentável. O setor tem se tecnificado e profissionalizado visando atender dispositivos legais que regulamentam sua produção e comercialização. Os consumidores, por sua vez, estão se tornando mais conscientes, buscando produtos mais saudáveis e de qualidade, gerando uma forte demanda por orgânicos.

 

LEGISLAÇÃO

As unidades de produção orgânica devem possuir registros dos procedimentos de todas as operações envolvidas na produção. Para iniciar a atividade é necessário o Plano de Manejo Orgânico, contendo histórico de utilização da área, ações de manutenção ou incremento da biodiversidade, manejo dos resíduos, medidas de conservação do solo e da água e manejos da produção vegetal e animal.

A lei brasileira só reconhece como orgânico o produto de cultura anual proveniente de um sistema que opere há pelo menos 12 meses de acordo com as normas orgânicas.

A qualidade dos produtos orgânicos produzidos no Brasil é garantida de três maneiras: Certificação, Sistema participativo de garantia (SPG) e o Controle social para venda direta sem certificação. O mecanismo de Certificação ocorre quando uma entidade credenciada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) faz auditorias na propriedade para atestar o sistema de produção e a sua qualidade. No SPG a elaboração e a verificação do cumprimento das normas são feitas com a participação produtores, processadores, comerciantes, consumidores, técnicos, organizações e de um Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade. Quando o fornecedor tem a conformidade de sua unidade aprovada, recebe o Atestado de Conformidade Orgânica. Já no Controle Social na venda direta, sem intermediários, forma-se um grupo, associação ou cooperativa de agricultores familiares vinculados à Organização de Controle Social (OCS) cadastrada no MAPA, que acompanha a produção e garante a rastreabilidade do produto. Assim, o produtor recebe uma declaração de cadastro de produtor vinculado a OCS que autoriza a comercialização diretamente ao consumidor de produtos não certificados.

A certificação garante que os alimentos são produzidos sem inseticidas, herbicidas e outros agroquímicos. Os produtos certificados são identificados pelo Selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica – SisOrg. A qualificação do produto pode ser complementada com os termos “ecológico”, “biodinâmico”, “agricultura natural”, “agroecológico” e outros. No caso de venda direta, os produtos não apresentam o selo.

No sistema de produção orgânico animal os insumos devem ser oriundos da própria unidade de produção ou de outro sistema sob manejo orgânico e somente em condições especiais poderão ser utilizados alimentos não orgânicos, no limite de 15 e 20% da matéria seca total para espécies ruminantes e não ruminantes, respectivamente. Assim, a maior dificuldade na obtenção desse tipo de alimento de origem animal, é a baixa oferta dos componentes utilizados nas rações, como milho e a soja, o que torna o alimento mais caro que o convencional.

Os grãos de milho advindos de culturas orgânicas apresentam características químicas diferenciadas quando comparados aos obtidos em sistema convencional.  Geralmente, os teores de β-caroteno são maiores e conferem uma cor mais avermelhada, além de maiores teores de proteínas, lipídeos, cinzas e fibras e menor teor de carboidratos. As espigas de milho verde produzidas em sistema orgânico apresentam menor teor de acidez e menores valores de carboidratos redutores e amido.

 

CULTIVARES E PRODUTIVIDADE

No cultivo do milho orgânico a escolha das cultivares deve priorizar aquelas adaptadas às condições ambientais locais, incluindo boa produtividade e resistência aos fatores bióticos e abióticos adversos, e que dispõem de sementes produzidas organicamente. As cultivares transgênicas são expressamente proibidas, sendo obrigatório o isolamento da área de produção de sementes sob cultivo orgânico, para evitar contaminação. O uso de sementes híbridas é permitido, porém a disponibilidade de genótipos de milho híbrido não transgênico tem diminuído.

As variedades devem ser preferidas pelo menor custo da semente, principalmente, e possibilidade dos agricultores produzirem sua própria semente, sem perda do potencial produtivo. Estas, apesar de apresentarem menor potencial de produção comparado a maioria dos híbridos, apresentam-se como alternativa viável para agricultores que utilizam menores quantidades de insumos e para regiões ou épocas de plantio com limitações para altas produtividades, como em condições de estresse hídrico.

A obtenção de sementes melhoradas oriundas de sistema orgânico e sem tratamento químico é outra dificuldade encontrada pelos produtores. Como alternativa, se tem utilizado cultivares crioulas adaptadas regionalmente, que são genótipos em uso pelos agricultores com baixo nível de insumos industriais e que foram geradas a partir de cruzamentos naturais, não passando pelo processo de melhoramento genético intensivo. Os agricultores utilizam a estratégia de seleção massal para melhorar cada vez mais sua produção, escolhendo para semear novamente as melhores espigas das plantas com características desejáveis. Na produção desse tipo de semente deve ser feito o isolamento no tempo, obedecendo  um intervalo de30 a40 dias de uma lavoura para outra, ou isolamento por distância, deixando 500 metros de uma lavoura para a outra.

Em relação ao desempenho dos tipos de milho em condições agroecológicas, Paulino et al. (2012) realizaram ensaios de competição entre híbridos simples, variedades crioulas, variedades sintéticas, compostos crioulos e variedades no  Norte do Paraná. Os híbridos comerciais alcançaram produtividades médias de 8.500 a 9.000 kg ha-1, as variedades melhoradas produziram 7.000 a 8.000  kg ha-1 e  a variedade crioula atingiu 7.000 kgha-1. Na safra 2009/10 em um ensaio de competição em sistema orgânico de manejo, o melhor resultado foi alcançado por híbrido comercial de 10.040 kg ha-1, ao passo que o milho crioulo, da variedade Caiano, foi o que apresentou maior produtividade (7.900 kg ha-1). Oliveira et al. (2013) comparando 12  variedades crioulas, verificaram que  Macaco, Amarelão, Carioca, Palha Roxa, Amarelão e Astequinha Sabugo Fino foram as mais produtivas em 15 ensaios conduzidos em propriedades familiares no Estado do Paraná e Santa Catarina. Com ampla adaptação e comportamento previsível, estas foram competitivas em relação a variedade BR 106.

O monitoramento das lavouras de produção de sementes crioulas para evitar contaminação com milho transgênico vem sendo feito por meio de testes rápidos para detecção denominados sistema da fitinha. O teste é feito nas folhas e/ou sementes de milho trituradas e expostas aos reagentes, acusando ausência ou presença de contaminação (qualitativo).

Devido ao valor agregado, as espigas verdes produzidas organicamente chegam a valer 30% a mais em comparação as produzidas no sistema convencional. Cardoso et al. (2004)  e Santos et al. (2011) obtiveram produtividade entre 10, 8 e 14,0 t ha-1   de espigas despalhadas  em sistema orgânico familiar  com híbridos comerciais e variedades de polinização aberta. Evidenciaram a viabilidade da produção de espigas verdes orgânicas, pois no sistema convencional a produtividade mínima aceitável é de 12 t ha-1.

 

MANEJO DO SOLO

O preparo do solo deve ser o mínimo possível, com equipamentos que não promovam a reversão ou a desagregação da estrutura do solo, para não interromper as atividades microbianas, sendo mais apropriado o plantio direto e o cultivo mínimo. É permitido o preparo convencional do solo com uso de arados e grades, desde que não seja profundo e excessivo. No entanto, o plantio direto de milho orgânico é pouco adotado pelos produtores, uma vez que há dificuldades, entre outras, com o manejo de plantas espontâneas e o estabelecimento de rotação de culturas que permita a adequada cobertura do solo e ciclagem de nutrientes.

A adubação no sistema orgânico tem a finalidade de repor os nutrientes retirados pelas plantas e aumentar gradativamente a fertilidade do solo. Procura-se melhorar a interação entre os microrganismos do solo e as plantas para disponibilizar nutrientes insolúveis e melhorar a fertilidade como um todo. São utilizados adubos orgânicos porque aumentam o teor de matéria orgânica, melhoram a estrutura e ativam o sistema microbiológico do solo, melhorando a retenção de água (“proteção” da umidade) e cátions (Ca, Mg e K) no solo e a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças.

O emprego do calcário envolve regras criteriosas, e tem como objetivo equilibrar os nutrientes no solo. Após a correção, o pH em água deve estar em torno de 6,0 e a saturação por bases em torno de 60 a 70%. Embora a elevação do pH do solo reduza a disponibilidade da maioria dos micronutrientes, estes são adicionados constantemente na adubação orgânica.

A dose máxima de calcário recomendada é de 2 t/ha/ano, cerca de 3 a 4 meses antes da semeadura. O uso contínuo de adubos orgânicos e de adubos verdes diminui a necessidade de calagem ao longo dos anos. O gesso (gipsita) pode ser empregado como fonte de enxofre e cálcio e para reduzir a saturação de alumínio.

No cálculo da adubação orgânica, considera-se a análise do solo, o teor de umidade e de nutrientes contidos nos adubos orgânicos, além da taxa de conversão para a forma mineral.  São usados adubos verdes, restos de colheitas, tortas e farinhas de vegetais fermentados, compostos orgânicos bioestabilizados e resíduos industriais e agroindustriais, isentos de agentes químicos ou biológicos com potencial poluente e de contaminação. Fosfatos naturais e semi-solubilizados, farinha de ossos, termofosfatos, escórias e rochas minerais moídas, que são de baixa solubilidade, são empregados como fonte de cálcio, magnésio, fósforo, potássio e micronutrientes.

Os fertilizantes orgânicos têm composição variável conforme sua origem, teor de umidade e processamento antes de sua aplicação. A mineralização no solo de nutrientes como o nitrogênio e fósforo depende principalmente da relação carbono/nitrogênio (C/N) do material orgânico. Compostos com C/N menor que 25 e relação C/P menor que 200 liberam a maior parte do N e do P no primeiro ano da aplicação.

Nas pequenas propriedades a utilização de resíduos nos diversos processos produtivos é fundamental, pois além de diminuir os custos de produção, proporciona melhor manejo dos recursos naturais, evitando que os mesmos contaminem o ambiente tornando-se poluentes.

O esterco sólido e líquido curtido de animais, chorume, produzidos localmente ou de granjas orgânicas são fontes de nitrogênio e de outros minerais em menor quantidade. O esterco curtido é utilizado puro e na produção de compostos e biofertilizantes, como o supermagro, que é pulverizado nas culturas para fornecer micronutrientes e aumentar a resistência contra pragas e doenças. Como o conteúdo nutricional dos fertilizantes orgânicos é baixo em comparação ao dos adubos minerais, as quantidades aplicadas são mais elevadas. A determinação da dose vai depender de sua composição química, taxa de mineralização e teor de nitrogênio. A dose sugerida por Penteado (2007) para o milho é 10 toneladas do composto por hectare, de preferência 30 dias antes do plantio.

Na área para a produção de milho orgânico da Empresa Korin Agropecuária em Ipeúna (SP)  a adubação é  realizada com  cama de frango na dose de 1,5 t ha-1,  inoculada com bactérias láticas, leveduras e outros microrganismos (30 kg t-1) incorporada no solo 40 a 60 dias antes da semeadura do milho. No plantio aplica-se fertilizante orgânico complementado com termofosfatos (Yorin B, Zn, 40 kg ha-1), adubo natural sulfato duplo de potássio e magnésio (100 kg t-1), sulfatos de zinco (2 kg ha-1) e Ácido Bórico (2 kg ha-1). Na adubação de cobertura aplica-se o fertilizante orgânico Master Bokashi complementado com o adubo sulfato duplo de magnésio e potássio natural (50 kg ha-1).

O melhor composto orgânico é aquele que apresenta fácil disponibilidade, baixo custo por nutriente fornecido e boa adaptação climática e edáfica. Os compostos granulados são indicados para grandes áreas, pois permitem ampliar a disponibilidade de matéria orgânica com redução das doses de esterco.

Atualmente, são comercializados com rótulo e embalagem própria, fertilizantes orgânicos simples, mistos, compostos e biofertilizantes para uso na agricultura orgânica, desde que apresentem registro no MAPA. São classificados de acordo com as matérias-primas utilizadas em sua produção e devem ser  seguros para a utilização na agricultura:  Classe “A” e “B”- em sua produção utiliza matéria-prima de origem vegetal, animal ou de processamentos da agroindústria, sendo que no primeiro não utilizados, metais pesados tóxicos, elementos ou compostos orgânicos sintéticos potencialmente tóxicos e no segundo são utilizados estes materiais no processo; Classe “C”- fertilizante orgânico que, em sua produção utiliza matéria prima oriunda de lixo domiciliar; Classe “D”- fertilizante orgânico que, em sua produção, utiliza matéria-prima oriunda do tratamento de despejos sanitários.

Os fertilizantes orgânicos simples, mistos e compostos deverão apresentar no máximo 40% de umidade, mínimo de 3 a 35% de carbono orgânico, pH, CTC, K e CTC/C mínimos, conforme declarados no registro do produto. A legislação impõe limites máximos para metais pesados tóxicos (arsênio, cádmio, chumbo, cromo, mercúrio, níquel, selênio) e agentes fitotóxicos e patogênicos como helmintos e coliformes.

Adubos verdes

A adubação verde é uma forma eficiente de fornecimento de nitrogênio, além de promover diversos benefícios: reestruturar o solo, incorporar matéria orgânica, ativar a vida microbiana, diminuir pragas, reduzir a incidência de ervas espontâneas por abafamento e ação alelopática, reciclar nutrientes lixiviados e tornar disponível o fósforo. A semeadura antecipada de adubos verdes com alta capacidade de cobertura do solo, como feijão-de-porco, crotalária, mucuna-preta e guandu, é uma das melhores práticas para evitar e reduzir a presença de ervas espontâneas.

Wutke et al. (2009) lista algumas opções para uso de adubos verdes:  cultivo anterior ao milho safra de verão com aveias branca e preta, chícharo, ervilhaca-peluda, ervilha-forrageira, nabo-forrageiro, sorgo, tremoço-branco, trigo e triticale em áreas com clima favorável a essas culturas. Crotalárias, guandu, girassol de ciclo curto, labe labe, mucunas, milheto, soja, sorgo e os consórcios com guandu ou mucunas são opções antes da safrinha.  No inverno, logo após a colheita do milho safrinha, sugere-se aveia-preta, chícharo, ervilhaca, ervilha forrageira, nabo forrageiro, trigo, triticale, guandu, Crotalária juncea ou sorgo.

Apesar dessas inúmeras vantagens e possibilidades, a técnica de adubação verde ainda é pouco utilizada, principalmente no verão, pois o cultivo do adubo verde não proporciona retorno econômico imediato, além de ocupar o espaço da cultura comercial.

O consórcio intercalar de adubos verdes com o milho otimiza a área de plantio e libera o nitrogênio fixado pela leguminosa pela decomposição de nódulos e raízes ou mesmo através de seu corte, com benefícios na produtividade. A cultivar de milho, a espécie de adubo verde (porte e hábito de crescimento), bem como a época de plantio e de corte deste são fatores que devem ser considerados para sucesso deste tipo de consórcio.  Os cultivos consorciados tendem a apresentar resultados significativos na produtividade do milho após alguns ciclos de cultivo, pois ocorrerá maior acúmulo de matéria orgânica e nutrientes no solo com o decorrer do tempo.

A Crotalária juncea  em consórcio intercalar pode ser  manejada na oitava folha   do milho ou conviver  durante todo o ciclo.  O feijão-de-porco por ser de porte baixo e hábito de crescimento ereto tem sido uma das melhores opções para o cultivo simultâneo com o milho. As mucunas por serem de hábito trepador, devem ser semeadas 15 a 20 dias após o milho, ou após a primeira capina.

O milho para produção de espigas verdes em consórcio com leguminosas também não tem apresentado diminuição na produtividade, embora possa diminuir o crescimento, acúmulo de massa e grãos do adubo verde.

 

TÉCNICAS CULTURAIS

Em relação a população de plantas, quando utiliza-se  variedades são indicadas de 40 a 50 mil plantas por hectare, em virtude do menor nível de tecnologia empregado.

No milho orgânico, as plantas espontâneas são manejadas por métodos culturais e mecânicos. O plantio antecipado de adubos verdes com alta capacidade de cobertura do solo, como feijão-de-porco, crotalária, mucuna-preta e guandu, é uma das melhores práticas para evitar e reduzir a presença de plantas espontâneas nos cultivos. Os métodos culturais ainda incluem a rotação de culturas, o uso de plantas alelopáticas,  consorciação de culturas, a roçada parcial e o sombreamento dirigido.

O cultivo tradicional, ainda muito praticado, é feito com enxadas e cultivadores de tração animal e mecânica. O primeiro cultivo mecânico, mais profundo, é feito entre 14 e 21 dias depois da emergência das plantas. O segundo, mais superficial, de28 a35 dias a partir do surgimento do milho. A capina é recomendada como complemento do trabalho dos cultivadores devido seu baixo rendimento.

Nas lavouras bem conduzidas, os danos econômicos causados por pragas são pequenos, sobretudo no milho. Nos primeiros anos de implantação do sistema orgânico, o chamado período de conversão, existe um desequilíbrio ecológico maior, devendo-se privilegiar métodos culturais, físicos e biológicos como forma preventiva. O uso de sementes de boa qualidade, cultivares tolerantes ou resistentes, aumento da diversidade de espécies (cultivos intercalares, rotação de culturas e áreas de refúgio), limpeza de implementos agrícolas, alteração da época e densidade de semeadura são preconizados.

Métodos curativos e/ou de manutenção dos níveis de infestação abaixo do nível de dano econômico, também devem ser empregados por meio de preparados fitoterápicos (piretro, rotenona e azadiractina) e agentes de controle biológico (preparados viróticos, fúngicos ou bacteriológicos). Essas substâncias e práticas de manejo podem ser usadas desde que autorizadas pelo OAC ou pela OCS (Anexo V da Instrução Normativa n° 17/2014 que atualiza a IN 46/2011).  No mercado, há um bom número de insumos fitossanitários, que podem ser usados, desde que atendam as especificações e garantias mínimas previstas na legislação e seu uso seja aprovado na agricultura orgânica (http://www.agricultura.gov.br/desenvolvimento-sustentavel/organicos/produtos-fitossanitarios).

A principal praga do milho, a lagarta-do-cartucho Spodoptera frugiperda, causa redução de até 34% na produtividade. Seu controle pode ser feito com inseticida biológico baculovírus, aplicado em pulverizações, contaminando as lagartas que ingerem as folhas. A morte do inseto ocorre cerca de sete dias depois da ingestão. É oferecido em forma de pó molhável, sendo um dos métodos mais seguros e eficientes.

Outra opção são as diversas formulações comerciais a partir do nim (Azadirachta indica). Os produtos derivados dessa planta têm grande potencial inseticida em razão de seu princípio ativo (azadirachtina) atuar como repelente, inibindo a ovoposição, a alimentação, a reprodução e o crescimento dos insetos, aos quais causa defeitos morfogenéticos. Folhas, frutos e sementes do nim podem ser utilizados na obtenção do ingrediente ativo. O inseticida mais utilizado é o óleo extraído da semente. A dosagem recomendada varia de 0,5% a 1% do produto comercial ou da receita preparada na propriedade.

A vespa Trichogramma pretiosum, que deposita seus ovos nos ovos da lagarta parasitando-os é bastante usada no controle biológico. Cartelas com ovos da T. pretiosum estão sendo produzidas nas biofábricas e comercializadas com a recomendação de 40 a 60 pontos de liberação por hectare. Em média, para a cultura do milho, são colocados cerca de 100.000 indivíduos por hectare, iniciando a soltura com o aparecimento da praga. Além da lagarta-do-cartucho, esta vespa pode controlar a lagarta-da-espiga e outros lepidópteros.

 

ARMAZENAMENTO

Para a conservação dos grãos e sementes recomenda-se seu armazenamento em tambores plásticos, latas e garrafas pet bem vedadas para evitar absorção de água e entrada de insetos, guardadas em local seco e fresco. O controle de carunchos é eficiente com folhas de eucalipto citriodora ou louro, pimenta do reino moída, talco de basalto ou cinza misturados aos grãos.   Para 10 kg de sementes mistura-se 100 gramas de pó de rocha ou 20 gramas de pimenta do reino ou 200 gramas de folhas de eucalipto moídas.

 

Referências

CARDOSO, M.J.; CARVALHO, H.W.L; RIBEIRO, V.Q.  Avaliação preliminar de cultivares de milho para produção de espiga verde em sistema agrícola familiar. Revista Ciência Agronômica, v.35, n.2, p.406-409, 2004.

 

OLIVEIRA, R.B.R.; MOREIRA, R.M.P.; FERREIRA, J.M. Adaptabilidade e estabilidade de variedades de milho crioulo. Semina: Ciências Agrárias, v.34, n.6, p. 2555-2564, 2013.

 

PAULINO, E.T.; T.; FERREIRA, J.M.; MOREIRA, R.M.P. Relação custo-benefício na estratégia camponesa de produção de sementes próprias. Revista da ANPEGE, v.8, n.9, p.561-72, 2012.

 

PENTEADO, S.R.         Adubação na agricultura ecológica: Cálculo e Recomendação numa abordagem simplificada.  Campinas: Edição do Autor, 2007.  168p.

 

PERIN, A.; BERNARDO, J.T.; SANTOS, R.H.S; FREITAS, G.B. Desempenho agronômico de milho consorciado com feijão-de-porco em duas épocas de cultivo no sistema orgânico de produção. Ciência e Agrotecnologia, v.31, p.903-908, 2007.

 

SANTOS, N.C.B; ANTONIALI, S; SANCHES, J; MATEUS, G.P.; BEVILAQUA, J.C. 2011. Avaliação dos sistemas orgânico e convencional na produção de milho-verde. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 51., Viçosa. Anais… Campinas: Associação Brasileira de Horticultura, 2011, p.2455-2461. CD ROM.

 

WUTKE, E.B.; TRANI, P.E.; AMBROSANO, E.J.; DRUGOWICH, M.I. Adubação verde no Estado de São Paulo. Campinas: Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, 2009. 89 p. (Boletim Técnico, 249).