Podridões de Espiga

As podridões de espiga e de grãos podem ser causadas por vários patógenos, alguns deles também agentes causais de podridões de colmo. Os prejuízos chegam a ser consideráveis, principalmente em condições de alta umidade no final do ciclo das plantas, como longos períodos chuvosos entre a floração e a colheita.

Acamamento de plantas (quando as espigas tocam o chão), espigas sem pedúnculo pendente, mal empalhamento, ataques de insetos e ferimentos em geral tendem a aumentar os danos.

Os prejuízos não são apenas na produtividade, como na qualidade, palatabilidade e valor nutritivo dos grãos. Além disso, vários patógenos também produzem toxinas que podem ter efeito cancerígeno e até letal a aves, animais e ao homem.

DISTINÇÃO ENTRE AS PODRIDÕES DE ESPIGA

Doença
Patógeno
Sintomas
Sinais
Podridão seca Diplodia maydis Espigas pequenas cor pardo-cinzenta ou com
brácteas
internas e grãos aderidos pelo micélio
Presença de micélio branco com picnídios
pretos
Podridão rosada Fusarium moniliforme Grãos
isolados ou em grupos
com
coloração rosada a marrom-avermelhada
Ocasional crescimento cotonoso branco a rosado sobre os grãos
Podridão vermelha ou da ponta
da espiga
Gibberella zeae Grãos
a partir da ponta da
espiga
com coloração rosa forte a avermelhada
Crescimento micelial rosa
forte a avermelhado
e ocasional presença de peritécios preto-azulados
Fonte: Fantin et al. (no prelo)

PODRIDÃO DE ESPIGA POR DIPLODIA

Importância

Esta doença, causada por Diplodia maydis e ocasionalmente Diplodia macrospora também denominada de podridão seca, é bastante freqüente e considerada a mais destrutiva entre as que afetam a espiga. É mais danosa na região sul do país, embora ocorra em muitas outras regiões.

É favorecida por seca antes do florescimento, seguida de alta umidade. A infecção não parece ser favorecida por ferimentos ou mal empalhamento das espigas, mas aquelas que não apresentam pedúnculo pendente podem ter sua suscetibilidade aumentada.

Sintomatologia

As espigas podem apodrecer completamente, apresentando-se pequenas com cor pardo-cinzenta a esbranquiçada, secas e leves. Podem também apresentar apenas sintomas internos: brácteas e grãos aderidos pelo micélio branco do fungo, que se desenvolve entre eles, onde podem ser vistos também os picnídios como pequenos pontos pretos.

D. macrospora também pode causar lesões foliares, que são ovais ou irregulares, alongadas, com bordo escuro, isoladas ou coalescentes, com 1 a 10 cm de comprimento.

 

Podridão de espiga por Diplodia

 

Mancha foliar por Diplodia macrospora

 

Controle

Recomenda-se o uso de cultivares com maior resistência. A decumbência das espigas aumenta a resistência à podridão de Diplodia.

A rotação de culturas, o manejo adequado de matéria orgânica e, no caso do sistema convencional de manejo do solo, o bom preparo de solo com aração e gradagem, reduzem sensivelmente o potencial de inóculo no solo. O uso de densidade de plantio adequada para o híbrido também é muito importante. Além desta, devem ser utilizadas outras medidas que também reduzem estresses na planta, principalmente o uso de adubação equilibrada e o controle de plantas daninhas. O tratamento de sementes diminui a disseminação através desta fonte de inóculo e a colheita precoce, com o armazenamento adequado, abaixo de 18% de umidade, inicialmente, para as espigas, e de 15%, para os grãos, restringem o desenvolvimento da doença.

PODRIDÃO DE ESPIGA POR FUSARIUM

Importância

Denominada também de podridão rosada da espiga, é a mais comum e disseminada doença de espigas, sendo encontrada em praticamente todos os campos de milho. Geralmente está associada a danos por insetos, injúrias mecânicas e mal empalhamento das espigas. É favorecida por temperatura elevada e ambiente seco no início da cultura seguido por condições úmidas (chuvas freqüentes) no florescimento.

Sintomatologia

Os sintomas de podridão geralmente aparecem em grãos isolados ou em grupos. Estes grãos afetados apresentam coloração rosada a marrom-avermelhada e em estados avançados de podridão, pode-se encontrar um crescimento cotonoso de cor branca a rosada sobre os grãos.

Grãos infectados tardiamente pode apresentar apenas estrias brancas no pericarpo, as quais se assemelham às causadas por um outro patógeno, Cephalosporium sp.

Além disso, a maioria dos grãos aparentemente sadios levam o fungo em seu interior. Embora estes fungos sejam freqüentemente associados às sementes, a disseminação através destas não é considerada importante. As sementes infectadas mas sem sintomas não têm apresentado alterações na germinação ou no vigor.

 

Podridão de espiga por Fusarium

 

Estrias no pericarpo dos grãos por Fusarium

 

Controle

Recomenda-se, o uso de cultivares mais resistentes, a colheita precoce e o armazenamento dos grãos sob condições de umidade relativa abaixo de 15%. O controle de pragas, para evitar ferimentos nas espigas, e a eliminação de plantas daninhas, para diminuir estresses da planta, também são importantes.

No sistema convencional de manejo do solo, a aração profunda da área a ser plantada pode ter efeito na diminuição do inóculo do solo. A rotação de culturas provavelmente não auxilia no manejo da doença devido ao imenso número de espécies hospedeiras do patógeno e à sua sobrevivência nos restos de cultura do solo por mais de 2 anos.

O tratamento de sementes é recomendado e auxilia não só na redução do inóculo das sementes como protege as plântulas do patógeno presente no solo. Embora o patógeno esteja freqüentemente associado às sementes, estas não são a principal fonte de inóculo.

PODRIDÃO DE ESPIGA POR GIBBERELLA

Importância

Esta doença, também denominada de podridão vermelha ou da ponta da espiga, caracteriza-se por ser mais freqüente em regiões de clima úmido e frio (ameno). Apresenta menor ocorrência que as podridões de Diplodia e Fusarium.

O agente causal desta doença é o fungo Gibberella zeae, cuja anamorfa é Fusarium graminearum.

Sintomatologia

A podridão de espiga por Gibberella é caracterizada pela presença de um crescimento micelial rosa forte a avermelhado, geralmente iniciando-se pela ponta da espiga e progredindo para a base.

Podridão de espiga por Gibberella

 

Controle

O principal método para o controle desta doença é o uso de cultivares com maior resistência. Este pode ser complementado com práticas culturais que evitem estresse na planta como uso de densidade de plantio adequada, eliminação de plantas daninhas e também colheita na época adequada, evitando longa exposição das espigas às chuvas no campo. A adubação nitrogenada auxilia a diminuir a doença.

A rotação de culturas apresenta alguma eficiência para o controle desta doença.
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