Marcha de absorção

  MARCHA DE ACÚMULO DE MATÉRIA SECA

Figuras 1a e 1b. Acúmulo relativo de matéria seca na parte aérea do milho: adaptado de trabalhos desenvolvidos em condição de sequeiro no Brasil (Ulloa, 1982) e sob alta população de plantas e irrigação nos EUA (Karlen et al., 1988)

A acumulação de matéria seca do milho se processa de forma contínua até o estádio de maturação dos grãos, existindo período de acumulação mais intensa próximo ao florescimento, depois a absorção pela planta prossegue concomitantemente com o início da translocação dos compostos acumulados da parte vegetativa para os grãos em formação ( Sayre, 1948; Hanway, 1962 e Karlen et al., 1987). Devido a considerável remobilização da matéria seca dos colmos do milho para o enchimentos da espigas durante a segunda metade do período de enchimento de grãos, pode ocorrer perda absoluta da massa dos colmos.

Visando aumentar a produtividade por área, tem-se empregado altas populações de plantas e espaçamento mais estreitos. As altas produções tem sido obtidas também pelo aumento da taxa diária de acúmulo de matéria seca e nutrientes (Karlen et al., 1987). O aumento da acumulação de matéria seca total contribuiu com 85% dos ganhos genéticos da produção de grãos e apenas 15% do ganho pode ser atribuído ao aumento do índice de colheita (proporção de grãos na parte érea). O aumento do acúmulo de matéria seca dos antigos para os novos híbridos pode ser atribuído, em parte, ao aumento da tolerância às altas densidades de plantas (aumento do índice de área foliar em ótimas densidades para a produção de grãos).

Comparando-se o acúmulo de matéria seca (MS) de cultivar de milho precoce em experimento realizado no Brasil (Ulloa, 1982) com os desenvolvidos sob condições de alta população (70 e 100 mil planta.ha -1) e altíssimas produtividades (11,7 t.ha-1 de grãos) nos Estados Unidos (Karlen et al., 1988), verifica-se que o padrão de partição de matéria seca é semelhante, mas ocorre tendência de maior acúmulo depois do florescimento nas condições norte-americanas (Figuras 1A e 1B).

MARCHA DE ABSORÇÃO DE NUTRIENTES

NITROGÊNIO

Figuras 2a e 2b. Acúmulo relativo de nitrogênio na parte aérea do milho: adaptado de trabalhos desenvolvidos em condição de sequeiro no Brasil (Ulloa, 1982) e sob alta população de plantas e irrigação nos EUA (Karlen et al., 1988)

 

SAYRE (1948) e Hay et al. (1953) verificaram que o acúmulo de N na planta seguiu tendência similar ao da matéria seca, mas não idêntica, com a taxa máxima ocorrendo cerca de uma semana mais tarde que a de matéria seca, que coincidiu com o florescimento feminino.

Sayre (1948) observou que quando a acumulação de matéria seca foi de 50%, N, P e K acumularam, em média, 66, 58 e 96%, respectivamente. Hanway (1962) reportou que até o florescimento, matéria seca, N, P e K acumularam , em média, 44, 65, 50 e 75% do total de todo o ciclo, respectivamente.

Já Karlen et al. (1987) verificaram que até o florescimento a matéria seca acumulou, em média, apenas 30% enquanto N, P e K acumularam, em média, 60, 46 e 80% do máximo, respectivamente. Devido a esta baixa acumulação de matéria seca mas com acúmulo de nutrientes similar ao encontrado em outros trabalhos, os autores sugeriram que a primeiro período de acúmulo de nutrientes ocorreu mais rapidamente que nos estudos anteriores. Isso, provavelmente, reflete a melhoria no vigor dos híbridos nos primeiros estádios, mas também refletem o efeito de populações muito altas (Karlen et al., 1987).

Esses autores encontraram dois picos distintos de acumulação nos estádios de crescimento vegetativo e reprodutivo (Figura 2B). O primeiro pico ocorreu no estádio de 12 a 18 folhas, quando o potencial do número de grãos tinha sido estabelecido e, o segundo, durante o enchimento dos grãos quando o potencial de produção estava sendo alcançado. A curva de acúmulo de N apresentou entre os estádios vegetativos e reprodutivo um gradual declínio e uma aparente perda de N da parte aérea, havendo intensa absorção de nitrogênio até período próximo da maturação.

No Brasil, Andrade et al. (1975a) verificaram no estádio de florescimento próximo de 2/3 de nitrogênio já havia acumulado nas plantas de maneira praticamente linear com o tempo e Ulloa, (1982) encontrou que cerca de 50% do N foi acumulado até o florescimento (Figura 2A).

Assim, para a maioria dos genótipos, a absorção do N é mais acentuada em período anterior ao florescimento e para alguns genótipos modernos, podem ocorrer dois picos de absorção, um antes do florescimento e outro durante o enchimento dos grãos.

Sayre (1948) encontrou que a taxa máxima de acúmulo de fósforo ocorreu no mesmo período do nitrogênio, mas o acúmulo foi crescente até a última amostragem, indicando que a planta continuou absorvendo fósforo do solo durante todo o período. Já o acúmulo total máximo de K na planta ocorre mais cedo em comparação com o N e o P; os grãos não contêm muito potássio, embora o acúmulo na planta toda seja quase tão expressivo quanto o de N.

Hanway (1962) verificaram que no florescimento mais da metade do total de nitrogênio e cerca de dois terços do potássio já tinha sido acumulado nas plantas.

 

FÓSFORO E POTÁSSIO

 

Figura 3. Acúmulo relativo pontual de matéria seca (MS), N, P, e K na parte aérea do milho (adaptado de Karlen et al., 1987)

 

Karlen et al. (1988) encontraram que 86% do K total foi acumulando até o estádio de florescimento (Figura 3). A acumulação de cálcio ocorre principalmente durante a fase vegetativa (85% do total), apesar de continuar por todo o ciclo de desenvolvimento. A acumulação de Mg, por sua vez, foi distribuída por todo o ciclo de desenvolvimento, verificando-se grande translocação para o enchimento da espiga.

De maneira semelhante, Andrade et al. (1975a) verificaram que a absorção de Ca foi relativamente antecipada em relação a de Mg e de S e Vasconcellos et al. (1983), que o cúmulo máximo de Mg na parte aérea foi linear até a última amostragem quando na presença de irrigação, enquanto o Ca atingiu pico máximo em período anterior a maturação.

Conclui-se que ocorre maior acúmulo de N e K na parte aérea das plantas de milho e que a absorção de P, S e Zn é expressiva tanto no período de crescimento vegetativo como no reprodutivo e que a maior exigência de K ocorre no início da fase vegetativa.