Manchas

São causadas pela morte de parte de tecidos, principalmente foliares, que se tornam secos e pardos. A forma e o tamanho das manchas podem variar bastante, conforme o tipo de patógeno. Manchas grandes são, muitas vezes, denominadas queimas.

MANCHA DE PHAEOSPHAERIA

Importância

A mancha foliar do milho causada pelo fungo Phaeosphaeria maydis, também denominada de mancha branca ou pinta branca, apresenta distribuição generalizada pelas áreas produtoras de milho no Estado de São Paulo e no Brasil. Esta doença passou a ser importante após 1990 e atualmente é uma das principais doenças do milho.

Sintomatologia

As lesões são em geral arredondadas, com 0,3 até 2,0 cm, inicialmente de cor verde, com aspecto encharcado, que vão rapidamente se tornando esbranquiçadas. Estas apresentam bordos irregulares e bem definidos, que podem tornar-se marrom escuros.

 

Mancha de Phaeosphaeria ou pinta branca (Phaeosphaeria maydis)

 

Controle

Recomenda-se o uso de cultivares resistentes. Deve-se evitar o plantio de cultivares com maior suscetibilidade em épocas ou locais que sejam muito úmidos ou chuvosos, principalmente durante o período vegetativo/florescimento da cultura. A rotação de culturas e a destruição dos restos culturais ajudam a complementar o manejo da doença. Devem ser feitas também adubações equilibradas entre nitrogênio, fósforo e potássio, pois o nitrogênio em excesso favorece a doença.

 

QUEIMA DE TURCICUM

Importância

A queima ou mancha foliar causada por Exserohilum turcicum, anteriormente denominada de helmintosporiose comum, está largamente disseminada pelas áreas de cultivo de milho. Esta doença pode chegar a causar sintomas severos e danos à produção. Tem sido mais importante nos plantios do início de safra e também nos de final de safrinha, quando as condições de temperatura amena favorecem seu desenvolvimento.

Sintomatologia

As lesões típicas sobre as folhas de milho são grandes, alongadas, elípticas, variando de 2,5 a 15 cm de comprimento (média de 6 a 10 cm), inicialmente de cor verde-acinzentada, tornando-se rapidamente necróticas, de cor palha.

 

Queima de turcicum (Exserohilum turcicum)

 

Controle

Recomenda-se o uso de híbridos ou variedades mais resistentes, que pode ser complementado por uma adubação equilibrada. Em casos de monocultura no sistema convencional de manejo de solos, recomenda-se a aração profunda para destruição dos restos culturais. No sistema plantio direto deve ser feita a rotação de culturas.

MANCHA DE MAYDIS

Importância

A ocorrência da mancha de Bipolaris maydis (fungo anteriormente denominado Helminthosporium maydis) é favorecida por temperaturas de 20 a 32°C e umidade elevada. Embora ocorra em São Paulo, esta doença não tem sido um problema importante.

Sintomatologia

Comumente afeta apenas as folhas e produz lesões alongadas, pequenas, de cor parda, medindo 2-6 x 3-22 mm, com margens paralelas, limitadas pelas nervuras das folhas, com bordos de cor amarelada a marrom.

 

Mancha de Bipolaris maydis

 

Controle

Semelhante ao do E. turcicum, sendo principalmente obtido pelo plantio de cultivares resistentes.

MANCHA MARROM OU PARDA

Importância

A mancha marrom, causada por Physoderma maydis, é observada com relativa freqüência em plantas isoladas de milho, nas nossas condições. Sua ocorrência é maior em períodos úmidos relativamente longos, ou sob irrigação, e temperaturas médias a altas.

Sintomatologia

Os sintomas na bainha e nervura foliar, colmo e brácteas externas da espiga são manchas arredondadas, de coloração marrom avermelhada a arroxeada. No limbo foliar aparecem, em faixas, pequenas pontuações amareladas que podem coalescer. O maior prejuízo ocorre pelas infecções do colmo, que podem ocasionar a quebra deste.

Mancha marrom (Physoderma maydis) em colmo

 

Mancha marrom (Physoderma maydis) em folha

 

Controle

A melhor medida de controle é a utilização de materiais com resistência, embora a doença aparentemente não se apresente com intensidade que justifique maiores cuidados.

MANCHA BACTERIANA DA FOLHA

Importância

A mancha ou queima bacteriana é causada por Acidovorax avenae subsp. avenae (anteriormente denominada Pseudomonas avenae, P. rubrilineans ou P. alboprecipitans). Sob clima quente e úmido esta bacteriose pode causar prejuízos. Chega a acarretar a morte ao afetar plantas mais jovens.

Sintomatologia

As lesões características são longas estrias verde claras, com aspecto encharcado, que aparecem nas folhas quando estas emergem do cartucho. Posteriormente os tecidos se apresentam secos com cor palha a marrom. As lesões podem coalescer afetando grande parte do limbo foliar.

 

Queima bacteriana da folha por Acidovorax avenae subsp. avenae

 

Controle

É feito pelo uso de híbridos e variedades resistentes.

MANCHA DE CERCOSPORA

Importância

A mancha de Cercospora, conhecida como “grey leaf spot”, passou a chamar atenção recentemente no Estado de São Paulo pela severidade com que ocorreu em algumas localidades. Apresentou-se severa também no Estado de Goiás.

É favorecida por temperaturas moderadas a altas e elevada umidade. Pode causar grandes danos à produção.

Como agentes causais desta doença são citados os fungos Cercospora zeae-maydis e também C. sorghi var. maydis.

Sintomatologia

Causa lesões foliares de cor palha a cinza, com 0,5 a 7 cm de comprimento, estreitas e limitadas na largura pelas nervuras secundárias da folha, o que lhes confere a forma retangular alongada típica. As lesões podem coalescer, levando a uma queima extensiva da folha.

Mancha de Cercospora

 

Controle

A principal medida para o controle desta doença é o uso de cultivares resistentes. Práticas culturais como rotação e principalmente o enterrio de restos de cultura auxiliam bastante a diminuir a sobrevivência do patógeno no solo, que é a principal fonte de inóculo.

Nos Estados Unidos e na África do Sul, onde a doença é mais antiga, o plantio de híbridos suscetíveis associado à presença de restos de cultura mais infestados a cada ano, tem levado à necessidade do uso de fungicidas em determinadas situações. Nesses países, observou-se que embora alguns fungicidas protetores registrados proporcionem controle aceitável, vários produtos sistêmicos dos grupos dos benzimidazóis e dos triazóis, também registrados, tem sido mais efetivos. Mais recentemente, compostos de estrubilurinas têm se mostrado serem efetivos. Pelo uso em larga escala dos benzimidazóis e triazóis, há a possibilidade do patógeno desenvolver resistência a esses produtos, daí a necessidade da utilização de práticas de manejo integrado da doença para minimizar a necessidade do controle químico.
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