Extração de Nutrientes

Quadro 1. Extração e exportação de nutrientes pelo milho

 EXTRAÇÃO

      Existe grande variação na literatura entre os valores médios de extração de macronutrientes para a produção de 1 tonelada de grãos, principalmente de K, o que pode ser devido às diferenças na época de amostragem, genótipos e solo.

      Considerando uma produtividade média de 6 t /ha e os valores do quadro 1, tem-se uma produção de matéria seca na parte aérea (incluindo as espigas com grãos) igual a 14,2 t/ha e uma extração de 139, 23, 120 e 33 k/ha de N, P, K e S, respectivamente (2,5 t de massa seca da parte aérea por 1 t de grãos) . Nos EUA, Karlen et al. (1987) obtiveram produtividade média de 12 t/ha de grãos e 24 t/ha de matéria seca na parte aérea e extração de 239, 44 e 232 kg ha-1 de N, P, K e S, respectivamente (2,0 t de massa seca da parte aérea por 1 t de grãos). No Brasil, proporcionalmente, a extração de nitrogênio por unidade de grãos produzida e o rendimento de grãos na massa área são menores, comprovando, conforme Silva et al. (1979) e Vasconcellos et al. (1983), que o maior acúmulo de matéria seca não está relacionado, necessariamente, com a produção de grãos.

TRANSLOCAÇÃO E EXPORTAÇÃO

      Folhas e colmos atuam como as principais drenos de N durante a fase de crescimento vegetativo e depois como fonte durante o desenvolvimento reprodutivo. Ou seja, durante a fase reprodutiva ocorre considerável remobilização de fotoassimilados e nutrientes dos órgãos vegetativos acumulados antes do florescimento para prover o desenvolvimento dos grãos.

      A proporção do N translocado das diferentes partes da planta para a espiga depende consideravelmente das condições ambientais (Beauchamp et al., 1976). Dependendo do ano, da adubação nitrogenada do solo e do híbrido, a remobilização do N variou bastante de 20% até próximo de 100% do N dos grãos (Ma et al., 1999).

      Sob condições de baixa fertilidade, o N disponível no solo será suprido em pequena quantidade durante o período de enchimento dos grãos. Então, a remobilização de N dos tecidos vegetativos tornar-se particularmente importante para o desenvolvimento dos grãos (Ta & Weiland, 1992).

      Os nutrientes têm diferentes taxas de translocação entre os tecidos em períodos específicos de maior intensidade de acúmulo nos grãos. Grande proporção de N e P e pequenas proporções de K são translocadas de outras partes da planta para os grãos.

      Mais da metade da quantidade total de N, P e Zn acumulados na matéria seca da parte aérea das plantas de milho encontram-se nos grãos (Quadro 2). Vasconcellos et al. (1983) e Hiroce et al. (1989) observaram baixa redistribuição do cálcio das folhas e colmos para as espigas, indicando característica de elemento relativamente imóvel dentro da planta.

      Os valores absolutos de nutrientes exportados em 1 tonelada de grãos adaptados dos trabalhos de Andrade et al. (1975a) e Hiroce et al. (1989) são semelhantes. Há disparidades apenas nas proporções dos nutrientes exportados em relação ao acumulado na parte aérea, devido à variabilidade dos valores de extração.

      Quando se colhe a espiga inteira, a proporção da exportação dos nutrientes acumulados na parte aérea é alterada. A porção palha mais sabugo, em comparação aos grãos, é relativamente rica em Ca e K e pobre em N, P, Mg e S (Andrade et al., 1975a).