Enfezamentos e Viroses

Estão, atualmente, entre as principais doenças do milho, chegando a causar severos danos à cultura, principalmente em plantios tardios e de safrinha, embora ocorram também na safra em época normal.

O enfezamento do milho, ou complexo enfezamento, é o nome dado aos sintomas que podem ser causados por dois tipos de procariotos da Classe Mollicutes: um fitoplasma e um espiroplasma, em infecções conjuntas ou isoladas. São transmitidos pelo mesmo vetor, a cigarrinha Dalbulus maidis. Apesar de comum a presença dos dois patógenos na mesma planta, os sintomas mais evidentes geralmente são os do enfezamento vermelho.

Há poucas viroses já relatadas ocorrendo em plantas de milho no Brasil. A identificação de viroses no campo apresenta dificuldades, pois estirpes diferentes de um mesmo vírus, ou ainda vírus diferentes, podem ocorrer numa mesma área ou planta. Há ainda o fato de condições ambientes, ou relacionadas com a constituição genética das plantas, poderem influir na manifestação dos sintomas.

Importância

O enfezamento vermelho corresponde ao “maize bushy stunt” da América do Norte. A incidência desta doença vem aumentando nesta década, chegando a ser limitante em materiais muito suscetíveis. É favorecida por temperaturas moderadas a altas. Seu agente causal é um fitoplasma.

Sintomatologia

O primeiro sintoma é uma clorose das margens das folhas do cartucho, seguida por avermelhamento dos bordos e pontas das folhas mais velhas, o qual geralmente evolui para uma necrose. Quando há infecção de plantas bem novas, a doença é mais severa, ocorre um enfezamento ou nanismo acentuado da planta e a formação de numerosas espigas pequenas, sem grãos ou com poucos grãos frouxos e pequenos. Em geral, a infecção é tardia, mas, mesmo em plantas com sintomas leves, o enchimento de grãos pode ser bastante prejudicado.

 

Enfezamento vermelho do milho (fitoplasma)

 

Controle

Recomenda-se, principalmente, a utilização de cultivares com maior resistência. Se possível, devem ser evitados plantios sucessivos, principalmente tardios, pois a cigarrinha, que é constantemente associada ao milho, pode atingir altas populações no decorrer do ano agrícola, e apresentar maiores concentrações do patógeno.

ENFEZAMENTO PÁLIDO

Importância

O enfezamento pálido ou amarelo, também conhecido como “corn stunt”, é muito comum nos países da América Latina e Central. Esta doença é favorecida por temperaturas mais altas que as que favorecem o enfezamento vermelho e seus sintomas típicos têm sido observados com menor freqüência que os daquele, no Estado de São Paulo.

Esta doença é causada pelo espiroplasma denominado Spiroplasma kunkelii.

Sintomatologia

Os sintomas típicos da doença iniciam-se como pequenas manchas cloróticas na base das folhas novas, que evoluem para listras cloróticas formando longas faixas de cor amarelo limão a esbranquiçadas, as quais podem atingir toda a extensão da folha. Dependendo das condições ambientais, não há a formação das faixas, dificultando sua identificação no campo.

Com infecção mais severa, em plantas bem jovens, há maior encurtamento de internódios, a planta apresenta-se raquítica, com formação de numerosas espigas pequenas. Como no enfezamento vermelho, em geral os sintomas foliares desta doença se manifestam a partir do florescimento, e mesmo nestas plantas com sintomas leves, os grãos podem se apresentar mais leves e frouxos.

 

Enfezamento pálido do milho (Spiroplasma kunkelii)

 

Controle

Recomenda-se, como para o enfezamento vermelho, principalmente a utilização de cultivares com maior resistência, e evitar, quando viável, plantios contínuos, principalmente tardios, que favorecem a ampla multiplicação do inseto vetor e a disseminação da doença.

MOSAICO COMUM

Importância

O mosaico comum é também denominado mosaico da cana-de-açúcar, por ser este o mais comum dentro do complexo viral que pode causar a doença. Esta virose tem apresentado maior incidência no Estado de São Paulo ultimamente. Contudo, ainda é mais freqüente no Rio Grande do Sul. Pode causar grande redução da produção e seus efeitos são ainda mais drásticos quando está associada a outras viroses. A transmissão do vírus, agente causal da doença, pode ser feita por mais de 20 espécies de afídeos, principalmente pulgões, entre eles Rhopalosiphum maidis, Schizaphis graminum e Myzus persicae.

Sintomatologia

Os sintomas iniciam-se como pontos cloróticos com disposição linear no meio ou na base de folhas do cartucho, que evoluem para áreas alongadas de cor verde clara entremeadas às de verde normal.

 

Mosaico comum do milho

 

Controle

Há diferenças quanto ao nível de resistência entre os materiais cultivados, mas ainda não existem informações mais completas sobre recomendação de cultivares visando o controle desta doença.

Deve-se evitar, se possível, plantios tardios, pela maior população de insetos vetores do vírus. Além disto, devem ser eliminadas gramíneas selvagens hospedeiras (capim massambará, colchão, colonião e capim-arroz) e evitados os plantios nas proximidades de culturas de cana-de-açúcar infectadas com o vírus, que podem ser fontes de inóculo.

RISCA DO MILHO

Importância

A risca do milho, conhecida na América Central como “maize rayado fino”, é a virose mais comum nos cultivos de milho em nosso país. Nos últimos anos, tem ocorrido com muita freqüência em plantios tardios. Esta doença pode causar significativa redução da produção.

A transmissão do vírus da risca é feita pela mesma cigarrinha que transmite os enfezamentos: Dalbulus maidis.

Sintomatologia

Inicialmente os sintomas apresentam-se como pequenos pontos e traços, distribuídos ao longo das nervuras secundárias e terciárias, a partir da base das folhas do cartucho. À medida que as folhas se desenvolvem, os sintomas ficam evidentes em toda extensão foliar e os pontos tornam-se cada vez mais numerosos e podem fundir-se longitudinalmente formando linhas cloróticas estreitas e interrompidas.

 

Risca do milho

 

Controle

Os cultivares comerciais de milho apresentam diferentes níveis de resistência ao vírus, porém esta característica ainda não foi bem explorada. Evitar plantios tardios, se viável, e a eliminação de plantas voluntárias de milho também podem contribuir para a redução da incidência da virose.
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